mulher
STRAW WOMANCasted straw and Arabic gum on wood 2 x 0.50 m. – Created Fall 2000From the “ART NATUREL” serieFirst exhibited at Art Museum Of Deir-el-Qamar – Estivales 2002.
(um post dedicado às mulheres que fazem este blog)
"De tudo quanto sobre a terra existe
Com vida e pensamento, nós, mulheres,
Somos a raça mais perdida e triste.
Compramos com um dote nosso esposo
E ao nosso próprio corpo damos dono.
E depois disto nem sequer sabemos
Se o dono será bom ou será mau.
Desta questão depende a nossa vida,
Pois deixar um marido é infamante
E repudiá-lo não é permitido.
Rodeada de leis novas uma estranha
Tem de ser bruxa para adivinhar
- Sem o ter aprendido em sua casa -
O caminho a seguir junto dum homem
Que se deita em seu leito, lado a lado,
Quando somos felizes, quando o homem
Aceita com prazer o duro jugo
Duma vida em comum, então podemos
Louvar nosso destino.
Se não antes a morte
Pois o homem que se cansa do lar sai,
Sacode o seu desgosto, busca amigos.
Nós somos obrigadas a pôr tudo
Num único ser. Dizem que vivemos
Dentro de casa em paz, longe das guerras
Enquanto eles batalham. Porém essa
Razão é falsa. Antes combater
Três vezes nas fileiras, com o escudo
A proteger meu flanco, do que uivar
Uma única vez a dor do parto.
"Medeia", Eurípides (431 a.c.).
Recriação poética de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Lisboa, Caminho, 2006


2 Comments:
Então meninas? Nem uma palavrinha simpática ao Pedro por este post? Não é dia 8 de Março, é certo... Aliás, justamente por isso.
nuno. a verdadeira dadiva e aquela que se da' sem saber. e' sobretudo aquela que nao e' reconhecida por quem a recebe. esta e' a condicao da dadiva (Derrida). Uma palavrinha simpatica nunca chegaria para retribuir o post do pedro. esta' no reino daquelas coisas que nao se pagam, que ficam melhor em suspenso...
Enviar um comentário
<< Home